
Durante anos, o sistema financeiro foi construído como um conjunto de silos.
Cada instituição gerenciava suas informações, seus processos e suas decisões de forma isolada, com poucos incentivos para compartilhar.
Esse modelo funcionou por décadas.
No entanto, hoje ele começa a mostrar seus limites.
Nos últimos anos, algo mudou de forma irreversível: a abertura de dados deixou de ser exceção e passou a ser regra. Com isso, começou a emergir uma nova lógica de crescimento — mais conectada, mais dinâmica e, acima de tudo, mais centrada nas pessoas.
O Brasil não sofre com escassez de crédito. No entanto, convive há décadas com outro desafio estrutural: crédito caro, concentrado e pouco personalizado. Embora o mercado seja mais desenvolvido do que em outros países da região, o acesso ao crédito ainda depende, em grande parte, de modelos tradicionais de avaliação. Esses modelos nem sempre refletem a realidade financeira completa das pessoas.
Os números ajudam a contextualizar esse cenário. A dívida privada no Brasil gira em torno de 80% do PIB, um patamar elevado para a região. Ainda assim, milhões de pessoas e pequenas empresas enfrentam taxas altas, limites restritos e pouca mobilidade entre instituições.
Ao mesmo tempo, algo importante vem mudando.
Cada vez mais brasileiros acessam crédito por meio de fintechs, que operam com estruturas mais ágeis e modelos de risco baseados em dados alternativos.
É justamente nesse ponto que surge uma transformação estrutural. Não se trata apenas de digitalizar produtos financeiros, mas de mudar o modelo por trás das decisões. A adoção das Finanças Abertas, ou Open Finance, amplia o acesso a dados, melhora a avaliação de risco e cria condições reais para aumentar a concorrência. No Brasil, esse movimento já é concreto. Com Open Finance, instituições conseguem enxergar melhor a capacidade financeira do usuário, reduzir ineficiências e oferecer crédito mais adequado ao perfil de cada pessoa.
Na América Latina, a transição para sistemas financeiros abertos já está em andamento. No entanto, ela avança em velocidades diferentes e sob marcos regulatórios diversos.
O Brasil lidera claramente o processo. Seu ecossistema de APIs é maduro e hoje inclui bancos, fintechs, seguradoras e até empresas de investimento.
O México, por sua vez, estabeleceu as bases com uma Lei Fintech pioneira, que abriu caminho para o Open Banking e avança em direção a um modelo completo de Open Finance.
O Chile deu um passo importante em 2023 com a aprovação de sua Lei Fintech. A norma incorpora princípios de interoperabilidade e consentimento informado, e sua regulamentação deve acelerar a adoção.
Enquanto isso, Colômbia e Peru avançam por meio de iniciativas piloto focadas na criação de padrões de APIs e protocolos de segurança.
A Argentina, por outro lado, ainda se encontra em uma fase inicial. Existem iniciativas privadas explorando o compartilhamento de dados, mas ainda não há um marco regulatório formal.
Apesar dessas diferenças, a direção é clara. A região avança, de forma gradual porém consistente, rumo a sistemas financeiros mais abertos, competitivos e centrados no usuário.
Open Finance parte de uma ideia simples, mas poderosa: devolver ao usuário o controle sobre seus próprios dados financeiros.
Até agora, informações sobre renda, gastos e comportamento de pagamento ficavam presas dentro das instituições. Bancos, carteiras digitais e provedores financeiros eram os donos desses dados.
O modelo de Finanças Abertas vem justamente para questionar essa lógica.
Com o consentimento explícito do usuário, uma pessoa pode permitir que uma fintech acesse seu histórico bancário para receber uma oferta de crédito melhor. Da mesma forma, pode autorizar seu banco a visualizar os dados da sua carteira digital e, assim, acessar um financiamento imobiliário mais vantajoso.
Como consequência, a concorrência se intensifica.
Ao mesmo tempo, os custos diminuem, a inclusão financeira melhora e a inovação se acelera.
O Brasil oferece um exemplo concreto desse impacto. Lá, os dados de Open Finance já representam cerca de 20% do peso creditício nas avaliações de risco. Graças a isso, hoje é possível oferecer linhas de crédito até 30% maiores.
Por trás de qualquer modelo aberto existe uma camada menos visível, mas essencial: as APIs.
As Application Programming Interfaces funcionam como pontes. Elas permitem que plataformas financeiras, de marketing ou de dados se comuniquem entre si de forma segura, padronizada e escalável.
Por isso, mais do que uma tendência técnica, a API economy se tornou uma nova infraestrutura econômica.
Na prática, ela transforma a interoperabilidade em uma vantagem competitiva, reduz os custos de integração e viabiliza ciclos contínuos de inovação.
Além disso, acelera a criação de novos serviços.
E, em muitos casos, redefine setores inteiros.
Iniciativas como o Open Gateway — impulsionada pelas principais empresas de telecomunicações do mundo — mostram até onde esse modelo pode chegar. Da prevenção a fraudes à autenticação de usuários, o valor não está apenas nos dados, mas em como eles são compartilhados, conectados e ativados.
Essa mudança estrutural não se limita ao setor financeiro.
Algo muito parecido acontece no universo do marketing e da tecnologia.
No ecossistema martech, cada vez mais empresas buscam unificar e ativar dados por meio de integrações abertas e seguras. O objetivo é claro: entender melhor o usuário, personalizar experiências e otimizar recursos.
Em ambos os universos — finanças e marketing — a lógica é a mesma.
A interoperabilidade de dados, viabilizada por APIs, torna-se a base para decisões melhores.
No fundo, não se trata apenas de tecnologia.
Trata-se de transformar dados fragmentados em decisões mais inteligentes e, acima de tudo, mais humanas.
Na Minders, acreditamos que a lógica que impulsiona o Open Finance pode ser aplicada ao crescimento das marcas.
Chamamos essa abordagem de Open Growth.
Um modelo em que os dados fluem entre equipes, as decisões são tomadas em tempo real e a tecnologia deixa de ser barreira para se tornar ponte.
Assim como o Open Finance amplia o acesso ao crédito e melhora a concorrência, o Open Growth permite escalar estratégias de marketing mais ágeis, mensuráveis e eficazes.
Em ambos os casos, a base é a mesma: infraestrutura aberta, integrações sólidas e uma visão genuinamente centrada no usuário.
Na Minders, atuamos exatamente nesse ponto de interseção.
Ajudamos empresas a transformar dados em decisões, decisões em ação e ação em crescimento.
Da estratégia à implementação, acompanhamos as equipes na construção de sistemas abertos e eficientes. Sistemas pensados não apenas para competir hoje, mas também para aprender e evoluir ao longo do tempo.


